Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

O preço da beleza

A Unilever veiculou no mês passado um filme da Dove, para falar que a marca é contra a lavagem cerebral que as mulheres sofrem desde pequenas pela indústria da beleza. Dias depois, o Greenpeace respondeu na mesma linguagem com um outro video denunciando o desmatamento na Indonésia que acontece por causa da extração do Oléo de Palma, ingrediente usado nos cosméticos da Dove. Destaque para criatividade da ONG para o novo logo da Dove. Vale a pena assistir aos dois filmes. Vale a pena a reflexão.

Video da Unilever - "Fale com sua filha antes que a indústria da beleza o faça"



video resposta do Greenpeace - "Fale com a Dove antes que seja tarde"

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Quem nos acessa!

Saber que Alex Castro acessa o nosso blog foi o suficiente para levar embora, a tristeza que me assolava durante esta semana. Quanta honra! Para quem não sabe, o Alex é conhecido no meio dos blogueiros. Atualmente mora nos Estados Unidos e seus textos sobre as “prisões” que atrasam nossas vidas, foi uma espécie de terapia que mudou em todos os sentidos meus comportamentos de inércia.
Falando nas pessoas que passam por aqui, resolvi dedicar estas linhas para expressar a tamanha diferença que vocês fazem no meu dia a dia. Neste ano criamos o nosso e-mail para vocês poderem participar das nossas promoções ao longo do ano. O resultado foi além das nossas expectativas. É muito gostoso saber que a maioria das pessoas que nos acompanham são desconhecidos. E que despertamos amor e ódio através de nossos textos.
O blog começou com a possibilidade de se postar comentário sem que houvesse uma moderação. Para quem nos visita há mais tempo, deve se lembrar que por um mês os comentários passaram a ser moderados, por conta da leitora Mônica, que nos xingava constantemente com palavras de baixo calão. Jô e eu decidimos, então, a não censurar mais. “Vamos aceitar os palavrões pois não estamos aqui para sermos beijadas”. OK. Devo dizer que a Mônica é uma leitora que não passou despercebida.
Depois deste texto aqui, em que chamamos a Érika Palomino de “branca, pálida e fria”, suas jornalistas procuraram a Jô e pediram que retirássemos o texto do ar. Nossa resposta foi não. Falamos isso morrendo de medo dela, mas como somos desaforadas, falamos para elas mandarem o jurídico entrar em contato conosco. Nunca entraram!
O Jum Nakao raramente passa por aqui. Mas já entrou. E não é necessário explicar o motivo que o faz acessar o Sim Senhora. Por conta dos nossos contatos no ABC, onde sabemos que temos dezenas de leitores, entre eles o pessoal do Diário do Grande ABC, Marcos Cláudio, filho do Lula, também já nos leu e disse com a maior gentiliza, que nossos textos o fizeram rever seus conceitos sobre como lidar com as mulheres.
Não posso me esquecer do capixaba Tah, que criou a nossa comunidade e cujos membros não conheço a maioria (já que meus amigos não nos prestigiam), do professor Edson Bezerra de São Paulo e tantos outros anônimos que curtem o espaço dessas duas jornalistas de merda.
Um beijo, um abraço e um amasso!

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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Este texto é 100% real

O que mais gosto no nosso blog é de brincar com as palavras e com os retratos do cotidiano. Quando uma pessoa se manifesta acerca da veracidade do que escrevemos, sinto que o nosso dever foi cumprido. Quando nos elogiam, sentimos felicidade. Quando nos xingam também. Não teria prazer em escrever se não fosse capaz de despertar algum sentimento em que nos lê, ainda que este sentimento seja a indiferença.
Esse blog não é biográfico. Não é um diário. Raramente "aparecemos" aqui. Evito expor imagens dos meus familiares, das gêmeas, de meus amigos e da pessoa que eu gosto. Mas hoje abri uma exceção, porque precisava fazer. Amanhã é aniversário da minha mãe e como sempre vou presenteá-la com uma carta. Nunca mais lhe dei presentes, desde 2000, quando eu fui embora. Porque ela não gosta de receber presentes, por incrível que pareça. E como hoje, mais um ano, não poderei estar com ela, o meu presente é falar aqui no meu cantinho, sobre a mulher por quem sou apaixonada.
Não direi que és a melhor mãe do mundo. Seria muito forçado. Todo mundo diz que tem a melhor mãe do mundo. Eu não. Posso dizer que tenho a mãe mais fora do convencional.

Porque quando eu era criança você cortava o meu cabelo errado. Não sabia colocar presilhas no meu cabelo e muito menos me proibia de assistir filme de terror e cenas de sexo.
Porque depois que eu cresci você acobertava minhas artes diante da braveza do papai. Quando viajei escondido com R$ 100,00 no bolso, achou que eu era louca, mas não me bateu, nem me deixou de castigo.
Porque quando eu bati na menina da escola para defender uma coleguinha, você morreu de dar risada. Achei que fosse levar a maior bronca, mas pelo contrário, você e o papai ficaram rindo da minha cara, dizendo que realmente eu não levo jeito nenhum para fazer balé.
Porque você nunca deixou de ser mãe mesmo trabalhando fora. Porque você me deixava com as empregadas, mas sempre dava um jeito de aparecer em casa. Porque você conferiu todas as minhas tarefas. Ensinou-me matemática quando eu não conseguia resolver um problema. Porque todas as noites você me colocou na cama, me deu leite e bolachinha.
Porque foi você quem instituiu a leitura na minha vida, com dez mil assinaturas de jornais em casa, com mil revistas e livros para eu ler, porque você quem me fez ficar chata, a ponto de decorar um livro inteiro e ficar repetindo a mesma história, palavra por palavra, vírgula por vírgula. “Chega!!! Dá para você decorar outra história, menina?”.
Porque quando eu dizia que ia para tal festa, você sabia que eu estava mentindo, quando na verdade eu ia para a cidade vizinha, se achando a esperta e malandra. Porque quando eu voltava, você olhava para minha cara com desdém e dizia: “Sua tonta, você pensa que eu não sei para onde você foi?”.
Porque quando eu disse que queria aprender japonês, você me mandou para a escola e uma semana depois eu disse que não iria mais. Porque você olhou na minha cara e disse: “O problema é seu”.
Porque você só fala asneira. Porque quando levei o primeiro namoradinho para casa, você disse que ele tinha bunda de mulher. Porque você fala que quando a menina começa a fazer o que não deve, o quadril dela vai crescer.
Porque temos gostos diferentes, mas temos muito em comum: o sentimento de independência, de liberdade, de não depender de ninguém. De não ficar parada, de ajudar o próximo, de se doar para os outros.
Porque quando eu disse que amava muito você e o papai, mas precisava começar o processo de desapego, você me incentivou e fez de tudo para que meu sonho fosse realizado. Porque você disse “eu criei meus filhos para o mundo e não para ficarem debaixo da minha saia”. Porque eu sei que você sofreu, mas sei que hoje tem a mais profunda certeza que quando se for, estarei preparada para o que der e vier.
Porque fazemos brincadeiras idiotas, porque competimos quem fala mais palavrão, porque jogamos banco imobiliário e imagem e ação, porque você engana os operadores de telemarketing.
Porque você troca as letras de música, porque você é uma criança, porque todas elas gostam de você. Porque nasceu para ser mãe, tia e avó.
Porque quando vamos ao cinema você dorme. E isso me irrita. Porque quando digo que estou de dieta você só faz comida ruim. E ainda me chama de “Gooooooorrrrda”.
Porque sua timidez completa meu jeito desinibido de ser. Porque enquanto sou consumista, és desprendida de tudo que existe de material. Porque sou exibida e tu és simples. Porque sou vaidosa e és relaxada. Porque você sempre cuida de mim, longe, perto. Porque reza, ora, porque tem a fé que eu (ainda) não tenho.

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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Best seller

Gosto de você justamente porque gostar não faz sentido. Não preciso de um motivo, nem de uma explicação. Muito menos entender. Não preciso de resposta, porque gostar é assim mesmo, a gente não sabe direito porque alguém nos cativa, é um prazer que se sente aos poucos e não de uma vez.
E quando meu corpo arrepia não sei se é um sinal para recuar ou avançar. Não tenho medo, nem sinto coragem: apenas faço aquilo que me der na telha.
Não gosto de mandar recados, muito menos de fazer tipos. Não gosto de analisar, nem de ser analisada. Só minha terapeuta pode dizer que sou isso e aquilo. Apenas eu sei quem sou, o que penso ser e o que pretendo ser. O resto não passa de fofocas. De gente que não tem o que fazer.
Guardo tudo de bom e de ruim. Não sou santa, nem garota de programa. Tenho mistérios, segredos, opiniões. Guardo as pessoas em caixinhas. Sou uma bicha que nasceu no corpo errado. Ariana desenfreada. Quente nas idéias. Fria nas emoções. Posso ser a pessoa mais carinhosa do planeta e sobretudo, a mais escrota também.
Cansei de quem diz que não se pode esperar nada de ninguém. Eu espero amor, honestidade, caráter, altruísmo, bom-senso, dignidade, companheirismo, inteligência, humor, simpatia e por que não um abraço que me quebre ao meio e um beijo que mexa com minha espinha dorsal. Eu crio, escrevo, reinvento, choro, desfaço: só não desisto. E por mais que digam que alguém não liga para mim, farei esse alguém me querer. Porque se eu esperar, talvez não o queira mais.
Não fumo, não me drogo, mas preciso de uma camisa de força toda vez que está perto de mim. Pularia feito uma louca sobre você, ainda que não tivesse certeza se iria me agüentar. E toda vez que eu olho para esses olhinhos pequenos, vejo alguém que já sofreu e se assusta com meu jeito desbocado de ser. É um olhar que fala por si só, que não quer magoar, nem ser magoado. É um sentimento que vem pela metade, nunca por inteiro. Faço de conta que entendi, mas no fundo não queria entender. Porque a vida é feita de histórias e todo mundo tem o direito de viver a sua, n vezes, quantas forem necessárias. Uma hora a história dá certo, pode até virar best seller.

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Domingo, 18 de Maio de 2008

O nome dela é Roberta

Minha irmã, que é três anos mais nova do que eu, proibiu-me de sair de casa. Desde ontem, estou de castigo, literalmente. Fui dormir às 19h. Só me levantei às 14h. Tudo isso porque eu estava com febre, com o corpo mole, tossindo feito uma louca, com os ouvidos inflamados. Parcialmente esse cenário melhorou, mas continuo de castigo. Só posso sair do quarto para ir ao banheiro. Já li várias coisas, já naveguei na internet e daqui a pouco vou assistir um filme. Passamos a tarde toda deitada, eu mais a coberta.
Pode parecer que minha irmã é meio chata, mas asseguro que é a pessoa mais carismática. Ela sempre foi muito popular, muito dada, muito querida, daquelas pessoas que todo mundo gosta, quer ter por perto, dar um abraço e uma mordida. Eu adoro mordê-la!!
Teve problemas de saúde perto de completar um ano de idade. Quase morreu. Eu tinha três anos e não sabia direito o que ela tinha. A única coisa que eu sabia é que não queria ser filha única e queria muito que minha irmãzinha saísse do hospital para brincar comigo.
Não tivemos uma relação das mais exemplares, mas nada que fugisse das briguinhas normais entre irmãos. Eu tinha mania de assustá-la depois que assistíamos filme de terror. Adorava me esconder dentro de um lençol e ir até o seu quarto fazer " buuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu", imitar o exorcista e pegar seu pé à noite na hora de dormir.
Quando a gente brigava eu jogava os meus sapatos contra ela, fazíamos guerra de travesseiro, puxávamos o cabelo uma da outra, depois meu pai aparecia e dava um grito bem forte e a gente ficava quieta rapidinho.
Passei boa parte da minha vida escutando os conselhos da minha irmã. Ela sempre implica com os meninos com quem eu saio, diz que só gosto de tranqueiras e que quando um menino é legal eu perco o interesse. Ela adora dizer "você tem problemas na cabeça", acha que eu gosto mesmo é de sofrer e fala que não entende como posso deixar passar tanta gente bacana.
Quando faço algo que ela não gosta, ela fala "Ah, Larissa, você não tem jeito". Em compensação quando quer algo de mim, solta um melado "Então, sistá...".
É ela quem me dá um abraço na hora de dormir, quem me cobre à noite e que come brigadeiro comigo, sem culpa nenhuma. É ela quem reclama do meu jeito de dirigir e diz que eu dirijo "que nem homem". É ela quem pede para eu revisar um texto, dar uma opinião e fazer strogonoff.
É ela, simplesmente, que faz eu pensar que sou a melhor irmã do mundo, a mais bagunceira, a mais maluca, a mais apaixonada.

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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

A mulher blasé

Fala sério. Você deve encontrar por aí várias. Várias blasés. Quanto mais pisam nelas, mais elas gamam. Só gostam de quem as tratam mal. (Tem muito homem blasé também, tô cansada de puxar a orelha de vários amigos. Mas se eles gostam de sofrer, que sofram com intensidade!). Sabe aquela conhecida que fala que nada acontece pra ela, que ela é azarada, predestinada a ficar sozinha? Essa mesma blasé, quando se depara com um cara super bacana começa a colocar dez mil defeitos nele: "Ai, mas ele não sabe dirigir", "Ele é muito baixo", "Ele não é bonito...".
Ela diz que não é exigente e que está pronta para receber o amor de braços abertos, mas no fundo, bem lá no fundo, além de blasé ela é burra. É só o moçoilo dar um chega pra lá que ela cai de quatro, ou melhor, quer cair em cima dele. O fulaninho normalmente é esse menino babaca e idiota, que fala asneira ( a maior parte do tempo). É facilmente identificado em baladas.
Ele adora dizer que freqüenta o lugar, bate o cartão toda semana e não consegue imaginar como seria a sua vida sem isso. Não sabe como chegar numa mulher num ambiente mais tranqüilo. Simplesmente porque é incapaz de conversar. Seria muito complicado para ele manter um diálogo, pois é muito mais fácil ficar como tonto, dançando, gritando na cara da menina na balada. Aquelas perguntas cretinas, "Ah, você vem sempre aqui?", "Onde você mora?", "Vamos para um lugar mais calmo conversar?". Esse lugar mais calmo...Nem preciso dizer onde é e que tipo de conversa vão ter.
O fulaninho jamais vai perguntar do que você gosta e não gosta, nem qual o seu filme preferido, muito menos se você canta no chuveiro. Ele não vai falar que você deveria conhecer o trabalho de Monet, tampouco que gostaria que você o ensinasse a desenhar. Mas as mulheres blasés o adora. Adora quando ele pergunta quantos anos tem, o que faz da vida, todas essas questões previsíveis de um ser mais previsível ainda.
As blasés voltam para casa eufóricas, querem contar para todo mundo que conheceram O cara! Que ele é perfeito, descolado, o seu tamanho! Pouco tempo depois, elas levam um pé na bunda. Choram dez litros de lágrima quando encontram o fulaninho, na mesma balada, alugando outra blasé. Depois se perguntam o que fizeram para merecer tamanha insensibilidade de um homem.

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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

O pai

- Eu vi. Eu vi o que você fez (enfático).
- Mas o que eu fiz?
- Você bebeu e feio.
- Bebi onde? Você sabe que eu bebo, mas não sou um alcóolatra.
- Não interessa. Aquela última vez que você veio. Apareceu no jornal. Você e a latinha na mão. Você acha isso bonito?
- O que você quer que eu ache?
- Pô filha, você estava bebendo Crystal? Não podia ser outra cerveja?

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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Puxa-saco

Pior que alguém puxa-saco, é alguém puxa-saco e invejoso. Você está no trabalho agora? Se sim, quantos puxa-sacos você está vendo? Olhe ao redor discreto. E pode contar, eu espero.
Pois é. Muitos, não são? A grande verdade é que os puxa-sacos são uma praga e tanto. Eles proliferam sei lá eu de que buraco, começam a se espalhar e, de repente, quando você menos espera, você está cercado por eles. Aí, só resta uma solução: se não pode vencê-los, junte-se a eles! Certo? ERRADO! Mande-os para bem longe!
O maior problema de conviver com eles é colocar seu ego em jogo, acho até que é por esse motivo muitos chefes acabam por contratá-los. No fundo, bem lá no fundo, todos superiores querem ser admirados.

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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Frase da semana

Homem tem que ser tratado igual cabelo:

Num dia a gente prende, no outro solta, num dia a gente alisa, no outro enrola, dá uma cortada quando precisa, numa semana a gente amacia, na outra é só jogar de lado. E ele fica ótimo!
- Autor desconhecido

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Domingo, 11 de Maio de 2008

Tchau, mundo

Achei que fosse impossível encontrar uma pessoa normal, que vivesse, perfeitamente, sem falta nenhuma de ter um celular. Encontrei uma pessoa que, por sinal, eu admiro só pelo fato de não ter um: o jovem jornalista Bruno Ribeiro, do Correio Popular, de Campinas.
Quando eu soube que o Bruno conseguia trabalhar e viver sem um celular, virei sua fã, pensei, como assim o cara consegue realizar essa missão impossível?
Nutro uma relação de amor e ódio com o celular, e-mails e parafernálias afins. Você já acordou com a sensação de querer se isolar do mundo, a ponto de não querer entrar no Orkut, de não ter até mesmo que, entrar aqui e escrever qualquer linha mal escrita, tosca e vagabunda, sem nenhum sentido? Ah, então saibam que hoje estou assim.
Os meus amigos andam reclamando da minha falta de presença no MSN. "Onde você está? O que aconteceu? Você está viva?". A verdade é que, querendo ou não, esse programinha vicioso, depois das passagens de viagem e dos telefonemas, é a maneira mais fácil de eu manter contato com meus amigos de longe. E considerando que eu já morei em tantos lugares e as pessoas mais queridas da minha vida estão todas longe de mim, é como se eu tivesse dito, gente, preciso de umas férias de vocês. Estou chatinha, sem paciência para falar (e olha que eu falo, hein) e preciso urgentemente ir para alguma mata, ilha, viver só do silêncio e do meu corpo. Estou offline por pura vontade.
Sinto-me totalmente controlada e controladora diante de todas essas coisinhas que me deixam agitada. Em um primeiro momento vem a sensação de controle. Você liga para quem quer, você atende quem deseja, você escreve e responde para quem quiser. Depois cai a ficha e vem a sensação de que é controlada. É o seu editor que te liga e você morre de medo dele reclamar do seu texto ou te mandar trabalhar, quando você está ali justamente, dormindo, abraçadinha com alguém. Você pensa, ah, é assim, vai lá sua anta, quem mandou não virar médica? Pelo menos, estaria ganhando melhor.
Depois acontecem outras coisas, como uma fonte incomodada com o seu texto ligar para você ou te mandar um e-mail ofensivo. Você conta até dez, recompõe-se e agradece por ter a cautela de gravar e fazer a devida decupagem, arquivar tudo, mesmo que isso exija mais do seu tempo. Depois você briga com alguém que trabalha com você e pede uma explicação. Como assim, vocês beberam? Eu tenho que ficar à disposição 24h, mas vocês passam meu telefone particular sem me consultar. Boooooonito.
Estar conectada altera até mesmo os seus sentidos. Você pensa que escutou o telefone tocar, acha que o celular vibrou, mas tudo não passa de sintomas, sintomas de que você já foi contaminada e dominada por todos os aparatos eletrônicos.
No Orkut, por exemplo, exigem de nós a tal mínima educação. "Ah, fulana me adicionou, mas eu não gosto dela. Vou ter que adicioná-la já que ela me achou". "Ai e agora, aquele menino que eu beijei me achou e vai ficar escrevendo, eu não quero. O que faço?". "Putz, meu ex-namorado me achou e enviou convite para ser meu amigo. Agora vou ter que adicioná-lo".
Diante desse raciocínio podem me taxar da pessoa mais mal educada pois não faço questão de ser simpática. Pelo menos ali, tenho o direito, sim, de agir como se estivesse em uma seita, de adicionar quem somente quero, gosto e ponto final.
Outra coisa que me irrita é a tal "googada" que dão em você. De repente você está num novo ambiente, tudo é novidade, ninguém te conhece. Mas eis que existe o Google. E quando você percebe, as pessoas já te conhecem até demais. Normalmente isso acontece quando você começa a freqüentar um novo grupo de trabalho e os seus colegas querem saber de onde você surgiu, se você merece estar ali entre eles, se você tem alguma coisa boa para contar. Se ajuda, saibam que meu passado me condena. Sou louca, doida, perigosa.
As tecnologias atrapalham até mesmo minha relação com os outros. Já escrevi aqui que é muito mais fácil eu pedir o telefone de alguém a eu oferecer o meu. Porque eu sei, sei como é foda você esperar um telefonema e ele não acontecer. E não quero correr o risco de dar o número para uma pessoa que pode virar um chato, daquele que te liga toda hora e não se toca que você não está afim. Odeio inventar desculpas. E odeio ter que falar, cara, você não se tocou que eu não vou sair com você? Mas odeio mais ainda, olhar para o meu celular e ver que todo mundo me ligou, menos quem eu queria que ligasse.
Até mesmo o blog me dá dor de cabeça. Já teve um menino que achava que eu passava dos limites. "Você fala palavrão, você age como se fizesse todo homem de tonto, você prega o feminismo, tenho medo do que você pode escrever". Daí não agüentei. Ele queria me censurar. Era muita pretensão achar que me inspirava para alguma coisa. Eu parei de sair com ele, que não entendeu nada, ficou uma semana me chamando para isso e aquilo, perguntava o que tinha feito de errado, o que não tinha feito. Aí eu tive que falar, olha fulano, você é muito legal, mas não dá para sair com uma pessoa neurótica. Você já leu o meu perfil? Você sabe diferenciar o que sou eu e o que não é? Você acha que eu te trato como homem-objeto? Porque pelo amor de Deus, você conseguiu estragar tudo. Agora me deixa em paz que eu vou escrever, o que eu quiser e vou sempre respeitar quem estiver comigo.
Tenho uma amiga que tem três celulares. Ela é produtora, trabalha com cinema, não sei bem ao certo o que ela faz, mas quando a gente se encontra eu passo mal só de ver os celulares tocar. Um é pessoal, dois são do trabalho. Quando eles tocam, ela fica em transe. E eu entro também. "Atenda, comporte-se como se fosse minha assistente. Vai atende". Aí eu atendo, invento uma desculpa de merda, ela olha para mim e diz, "não agüento mais".
Eu também não aguënto.

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Até onde o jornalista pode ir para conseguir uma reportagem?

Da Escola de Comunicação, do Comunique-se
Escutas telefônicas não autorizadas, compra de armas e drogas. Até onde pode chegar um jornalista para cumprir uma pauta? Essa pergunta se faz presente, principalmente, no jornalismo investigativo. Quais são os limites de uma reportagem?
Alguns casos podem trazer a reflexão sobre o assunto. Como o ocorrido mês passado com Roberto Cabrini. O jornalista foi encontrado na periferia da zona sul de São Paulo, no dia 15/04, com 10 papelotes de cocaína. A policia o deteu por tráfico de drogas e porte de entorpecentes.
Cabrini afirmou que a droga foi “plantada” em seu carro, fazendo parte de uma armação, e que fazia uma reportagem investigativa sobre tráfico de drogas, a mesma versão foi dada pela rede Record, emissora em que trabalha. No dia 17/04, a Justiça de São Paulo concedeu habeas corpus ao jornalista.
Outro caso, que aconteceu há nove anos, foi o do repórter Silvio Carvalho, do jornal A Gazeta, do Mato Grosso. Carvalho comprou um revólver no comércio clandestino de armas em Cuiabá. O repórter se passou por um “cliente” comum. Disse ao vendedor que tinha sido assaltado e por isso buscava uma arma para se defender. A chefia de reportagem o orientou a encaminhar o revólver ao Fórum Criminal. Menos de uma hora após a compra, Carvalho entregou a arma ao juiz Rondon Bassil.O recurso não foi favorável. O jornalista foi punido com medidas como, não poder sair de casa após as 23h, não passar mais de 30 dias fora de Cuiabá, doar cestas básicas a uma instituição de caridade pelo período de seis meses, e, além disso, comparecer uma vez por mês ao Fórum Criminal para comprovar o cumprimento da sentença. Carvalho foi acusado de porte ilegal de arma. Segundo ele, a intenção era denunciar a venda fácil de armamentos ilegais.Para Fernando Molica, diretor da Associação Brasileira de jornalismo investigativo (ABRAJI), é difícil estabelecer regras diante de situações delicadas. Para ele o jornalista tem que respeitar os limites, mas a regra é o bom senso. “O jornalista deve avaliar o custo-benefício e nunca tomar decisões individuais, mas junto com a chefia de reportagem”, afirma.

“O bom profissional é aquele que defende o seu trabalho com unhas e dentes, abraça a carreira e respeita a empresa em que atua. Se é necessário andarmos com droga ou adquirir um fuzil AR-15 para que o nosso trabalho seja concluído com bons resultados e profissionalismo, então... que se faça!”
Marcelo Ono, repórter

“A maioria espera que nós resolvamos o problema e não os competentes. Por isso, sentimos que devemos agir como super heróis e ir além do que deveríamos ir em princípio (...) E como é sabido, mexer com gente sem escrúpulos nos deixa fragilizados e sabemos que se colocarmos o dedo na ferida estamos sujeitos a sofrer penalidades...”
Ludmila Bahia, diretora de jornalismo, NTV

“Se envolver no crime, ou qualquer outra situação transgressora de forma supervisionada e protegida é ofício da polícia, dos que lidam com a imposição da Lei. Jornalista tem o dever de noticiar, denunciar, mas investigar a ponto de se envolver de forma escusa não concordo”
Patrícia Xavier, assessora da Câmara de vereadores de Timbó, SC

“Acho que para investigar, infelizmente, por um momento é preciso fazer parte da história, mas acredito que a investigação não acaba com a denúncia. A segunda parte, a pós-matéria ou a pós venda, não acontece na maioria das vezes”
Sheila da Silva, repórter, Rádio Bandeirantes

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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Você merece?


Foi preciso que minha vó completasse 88 anos para eu refletir sobre o meu comportamento. Há dois anos resolvi aprender japonês. A verdade é que já tinha ido para a escola quando eu tinha uns 12 anos. Freqüentei uma semana e saí. Meus pais nunca me forçaram a fazer algo que eu não quero.
Depois, com 23 anos, resolvi correr atrás do prejuízo. Contratei uma professora particular. Cheguei para ela e pedi para exigir o máximo de mim, pois precisava, urgentemente, aprender o básico em três meses. Foi muito complicado levar o trabalho com as aulas, porque ela me enchia de lição que eu demorava dez mil anos para fazer. Depois, como ela era muito exigente, ainda tinham as aulas de conversação. Decorei o tal hiragana, katakana, assisti novelas em japonês, troquei umas noites pelos cadernos, falava sozinha. Resultado: aprendi o suficiente para escrever um e-mail para minha amiga de Tokyo, porém tive que parar com as aulas assim que me mudei novamente. Tentei praticar com a minha vó o não-praticável, primeiro pela minha falta de vocabulário, segundo porque ela não escuta direito e eu tenho que gritar, literalmente.
Tive toda a oportunidade da minha vida para aprender um idioma de graça, algo que neguei sem perceber na minha convivência com ela. Desperdicei isso. É algo que me machuca por dentro, para ser bem sincera. Porque eu sei que não vou aprender tão cedo e que minha vó não é eterna.
A Bá sempre fala que nada vem de graça. Ela diz mais ou menos assim: “Rarissa, o sucesso não cai do céu, nem o dinheiro, nem o amor, muito menos a saúde, física e mental. O ócio é o pior veneno do mundo, porque é ele que faz as pessoas pensarem em besteira”. Era como se ela dissesse, olha menina, não fume, não beba, não faça sexo sem camisinha e não fique parada, corra atrás de tudo que você deseja, nem que seja por um segundo.
Bem é verdade que amadureci bastante em relação como ocupo meu tempo. Se o dia pudesse durar 48 horas já me ajudaria muito. Mas não posso reclamar, consigo encontrar tempo para trabalhar, estudar, fazer uma atividade física, cozinhar, ler, namorar (e ainda cuidar do blog). Tudo bem que, ajudaria ter uma cozinheira particular, pouparia meu final de noite de ficar na cozinha deixando a comida ajeitada para o dia seguinte.
Odeio quando alguém diz que não tem tempo de cuidar do corpo, como se isso fosse algo muito fútil e superficial. A maioria das pessoas que falam isso não querem admitir que são preguiçosas e que se incomodam em não estarem dispostas a fazer um sacrifício. Se eu precisar acordar às 5h (como já fiz), acordarei. Se o único horário que eu posso correr é bem à noite, eu irei correr à noite, faça frio, chuva, neve.
É bem chato também quando alguém reclama que está sozinho. Costumo chamar esses seres de mal comidos. Reclamam de tudo e de todos: toda mulher não presta, todo homem é um cafajeste, toda mulher é maria-gasolina, todo homem é um galinha. Não dá também para agüentá-los. Pessoas assim não valem a pena e nem fazem nada para merecer alguém do bem. Devem acreditar em Papai Noel para pensar que a pessoa perfeita existe e vai bater na porta de casa.
Outra coisa que me irrita é quem reclama que não tem dinheiro. A pessoa prefere comprar uma roupa a pagar uma mensalidade. Prefere ir no boteco a colocar comida dentro de casa. Optam por trocar o carro a pagar a faculdade particular do filho. Cansei de ver isso. Parece que quanto menos a pessoa tem, mais ela quer ostentar, mostrar, aparecer, exibir.
O ser humano quer tudo mastigadinho, tudo pronto. Emprego não aparece para quem não se esforça, amor não acontece se você não acreditar e saúde não vem com garantia, muito menos o seu salário significa que vai durar o mês todo. Acorda minha gente.

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Ser mãe é...

Dar dicas para outras mães. Mãe de primeira viagem nunca sabe quase nada. “Devo deixá-la assistir de tudo?.” “Como eu controlo o que ela vai assistir?”. “Se ela me perguntar como se chama o órgão genital? Falo que é vagina? Mas ela também vai ouvir que é bucetinha. Como faço para ela comer verduras, legumes e frutas?”.
Olha só. Sinto dizer. Mas você perguntou para a mãe errada. Fui filha de uma mãe que não me deu o mínimo de controle perante a TV. E eu sinceramente, assisti de tudo, de violência a pornochanchada. Se te ajuda, eu me considero uma pessoa normal.
Mas claro que eu não deixo elas na TV o tempo todo, até porque passam a maior parte do tempo na escola. Quando não estão na escola, estão em casa fazendo lição. Depois brincam um pouco. E no fim do dia, confiro a tarefa, brinco com elas e lemos historinhas.
Sobre vagina, eu não lembro direito, mas minha mãe falava “pererequinha” e “xoxotinha”. Era bem ridículo mesmo.
Eu resolvi seguir um caminho diferente. Um dia as meninas chegaram em casa e falou que um menino da escolinha tinha ido para a diretoria, porque ele começou a encher o saco das meninas da sala falando que elas tinham “xoxotinha”.
Daí eu expliquei para elas: olha, não deixa ninguém chegar perto da sua “xoxotinha”. Ela é só de vocês. Propriedade privada. Ninguém pode ver, tocar, chegar perto. É como se ela fosse algo bem precioso, inatingível, entenderam? Ela também tem outros nomes. Por isso vou citar outros que vocês, com certeza, vão escutar por aí.
Pode parecer a coisa mais imbecil do mundo. Mas um brainstorming sobre outros apelidos para a vagina foi algo bem educativo lá em casa. “Prechequinha, princesa, Xuxa, bichinha, xoxota, xaninha, pipi, gatinha, amiga, xoloca, piriquita, selvinha, gordinha, Amandinha, baby, lourinha”. Se vocês lembrarem de outros nomes, por favor, digam aí.

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